Tanques e Pistolas para Irak?

O Departamento de Defesa apresentou ante o Conselho Federal uma proposta para participar no programa da OTAN para formar as novas forças de segurança iraquianas.

BERNA. (13.06.05) Em novembro de 2004, o Departamento de Defesa da Suiça anunciou que havia vendido 180 tanques, do tipo M-113, aos Emiratos Árabes Unidos. Os contratos já estão fechados, sómente falta a aprovação do Executivo para a exportação e o consentimento das autoridades estadounidenses, já que os tanques foram fabricados neste país.

Calmy-Rey se opõe a exportação dos tanques

Os expertos em tráfico de armas sabem que os Emiratos Árabes Unidos são países ponte no comércio internacional. Para isto nada estranhou-se que em março a publicação inglesa "Jane's Defence Weekly" difundiu a notícia de que os Emiratos iam vender os 180 tanques comprados da Suiça as novas forças armadas do Irak.

Saltava a luz, sem dúvida, que o Secretariado do Estado para Economia (seco) não houvesse concedido a permissão para a exportação dos tanques e que o responsável da seco, Othmar Wyss, sómente se limitasse a dizer que a venda dos tanques ao Irak "não era problemática" sempre e quando os sistemas entrassem em ação sob mandato da ONU.

Agora, três meses mais tarde, o jornal "Blick" voltou a destacar o assunto alegando que a operação da Administração Federal já se negocia sob o título: "o negócio do Irak" e que a mesma está encontrando forte oposição por parte do Departamento de Exteriores liderado por Micheline Calmy-Rey, que se prende ao embargo de armas existentes para a região do Irak e a legislação atual.

No princípio, os tanques em questão iríam destinados a polícia do Irak para proteger-se melhor dos ataques da resistência, como o responsável da seco, Wyss, não pode confirmar nada disto na roda de imprensa que realizou, protegendo-se em que há uma investigação interna em curso.

Os jornalistas também lhe perguntaram se era verdade que o Departamento de Defesa quería enviar uma partida de pistolas a polícia do Irak, mas que a proposta foi negada. A êle, Wyss respondeu com as seguintes palavras: " Até agora não foi concretizada nenhuma, das muitas, propostas que houve para exportar armas ao Irak".

Deiss desmente que seja um favor aos EE.UU

Por agora tão pouco há declarações oficiais referente ao segundo tema candente: a venda de 700 tanques do tipo M-113 do Departamento de Defesa ao Exército pakistanês, tal e como foi publicado no dominical " Sonntags Zeitung". Segundo esta publicação, o Departamento de Assuntos Exteriores está agora pedindo garantias de que os tanques não se utilizem com fins bélicos, por exemplo, contra a India, no discutido território de Kashmir.

A " más línguas" já começaram a dizer que as duas operações de exportação de tanques são um favor aos Estados Unidos. A Washington lhe interessa armar com bom material as novas forças de segurança do Irak e de todos é conhecido que as relações entre os Estados Unidos e Pakistão se reforçou enormemente desde o começo da " guerra ao terrorismo".

Para a Suiça, contentar aos estadounidenses tão pouco estaria mal, sobre tudo agora que o Conselho Federal se colocou como um dos seus objetivos prioritários estreitar os laços com os Estados Unidos e, se cabe, assinar um tratado de livre comércio com este país. O ministro da Economia, Joseph Deiss, se há defendido dizendo que o Conselho Federal não havia analisado também as duas operações.

"É verdade que revisamos nossas relações com os Estados Unidos, mas não entramos neste tipo de negócios", comentou o ministro.

Schmid intercede por mais ajuda em formação

Paradóxamente, na última reunião do Conselho Federal sobre política exterior com os Estados Unidos, o Executivo tirou umas diretrizes com respeito ao Irak muito do agrado dos Estados Unidos. O Departamento de Defesa de Samuel Schmid propôs ao Conselho Federal participar do financiamento do programa da OTAN para a formação das forças de segurança iraquianas.

Neste sentido a versão oficial diz assim: "As instituições competentes da Administração Federal estão comprovando se era possível, e beneficioso, participar de alguma forma no programa de formação das autoridades iraquianas. Este possível treino se realizaria fora do solo iraquiano".

snc português:

arlete f. kaufmann

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