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20 anos de radios locais
Um sonho que
não tornou-se realidade
Faz agora um quarto de século, neste país, um
personagem ligado ao poder, mas por sua vez tambem um frustado
academico, jornalista e extraordinário ator liberal, decide
abandonar o país e converte-se em um
pirata, concretamente em um pirata das ondas ultracurtas,
cujo propósito era quebrar o monopólio radiofonico da SRG. Sua
revolucionária atitude contou desde do início com grande
respaldo, sobre tudo desde dos circulos burgueses, que viam a
emissora pública SRG como um órgão leninista/estalinista cuja
linha editorial obstacularisava os interesses neoconservadores e
neoliberais. Marco das circunstancias que seguem presentes até
os dias de hoje.
snc reportagem: niklaus freundlieb
snc
português: arlete f. kaufmann
O que o público quer
Esta onda de críticas hostis a emissora estatal pública
não fez outra coisa que reforçar a posição de nossa
pirataria rediofônica,acrescentando ainda que este sabia
perfeitamente que sua rádio rudimentaria, aliada na
diáspora do norte da Itália, não suporia nenhum tipo de ameaça
do monopólio informativo e a profissionalidade da SRG. Pois se
estava fazendo rádio, se estava começando e isto era uma boa
noticia. Na televisão, por razões economicas e políticas,
naqueles momentos não se podia
nem pensar. E isto ele sabia, nosso pirata, que a
partir daqui, e quando lhe convinha, se fundava o traje
populista de Robin Hood, o amigo dos ladrões, para conseguir o
apoio
da massa juvenil suiça na luta contra o tirano, a
SRG. A esta massa não interessava a informação politicamente
correta. Para eles interessavam
que se passou no bar da esquina na outra noite através
das noticias regionais, havia uma nova dimensão radiofônica.
Isto faltava até este momento,porque a SRG não cubria este
tipo de noticias. Mas o mais importante era o som, a onda,como
demonstravam os piratas radiofônicos. A “Radio Beromünster”
tocava o hino nacional a meia noite, os combatentes das ondas
curtas, seguros de si mesmos, propunham o rock estridente
californiano.Isto rompia! Quando os “Bucks” chegaram com
seus desenfreados punk ao AJZ de Zurique e revolucionaram a música
rock suiça, nosso pirata radiofônico, que agora começa a ser
idolatrado, excitava as massas com os “Eagles” e com
noticias locais agressivas, como por exemplo que no ultimo
concerto dos “Bucks” e no AJZ apareceram certas
“calamidades”. E a coisa funcionava. O povo queria música
moderna, e não tão moderna, apresentadores que falavam em um
nivel médio e noticias relacionadas com a queima dos latões de
lixo diante do AJZ (depois de um concerto dos “Bucks”)
Quem pode?
Mas para chegar a legalização ainda faltava muito.
Mesmo que, a pressão nas ruas e o giro nas mentes dos
politicos e personagens ilustres do pais, ofereciam esperanças
para que se abrisse o Mercado mediático aos provedores dos
sitemas privados. Ou seja, aqui não se tratava da radio, se
tratava do Mercado, e um Mercado somente existe quando vários
provedores oferecem seus produtos em igualdade de condições, E
este não era o caso. Mas os politicos reacionaram rápido e
começaram a desenhar um novo mapa riofônico. Se criaram novos
locais federais e reestruturaram os velhos, e começaram
a outorgar as primeiras concessões, a SRG, ao ver a situação,
começou a propor novos modelos de programação para poder
competir,e a conceder concessões para novos canais como DRS-3
ou Couleur-3.
Mas veja! Aos agentes privados não estava agradando
nada que a SRG, financiada com dinheiro público, participasse
na divisão do Mercado radiofônico.”Igualdade de condições”
é o que pedia as emissoras privadas. Em parte, de maneira
justificada, pois que a SRG partia com vantagens. Com este
respaldo do dinheiro público, a SRG podia operar sem restrições,
mesmo que seus adversários privados as viam negras para cobrir os gastos. A solução politica
ao conflito foi o seguinte: se abriu definitivamente o
Mercado, as emissoras privadas podiam arrecadar dinheiro da
publicidade até um certo limite, a SRG se financiaria
exclusivamente pelos impostos dos cidadãos e não por
publicidade e parte do dinheiro público iría para as emissoras
privadas da periferia, e decidir, as denominadas estações
radiofônicas com programação exclusiva para grupos periféricos.
Entrada em uma nova era
Em
1 de novembro de 1983 chegou o grande momento. A
meia noite o novo
mundo da rádio começou na Suiça. As primeiras emissoras
privadas, entre elas lógicamente a do nosso pirata radiofônico,
Robin Hood, que trocou sua emissora ilegal do norte da Itália
por um studio em Zurique, começaram a emitir suas primeiras
notas. A SRG lançou esta mesma noite tambem seu terceiro canal.
Ao mesmo tempo, a DRS-3, começa a ter uma meta muito
professionalizada, ser a emissora vanguardista em muitos
aspectos e receber boas críticas por parte do público,não
acaba de explodir. Na emissora pública sempre havia diferenças
entre os acadêmicos de rock, mas que burocratizados, e os novos
jovens da media, muito mais vitais. Por outra parte, a DRS-1, uma vez que se
havia mudado o formato da programação, seguia sumergida em um
vicio de identidade. Eram as novas emissoras privadas que as
levaram na palma
enquanto as porcentagens de audiencia, sobre tudo as de núcleos
com maior concentração da população.
As ilusões e esperanças de qualquer começo se
fizeram notar. As emissoras privadas, em muitos casos com muitos poucos recursos economicos, tamparam esse
déficit com muita originalidade, creatividade e
experimentação (algo que anos mais tarde se fechou em baixa),
cativação e a audiência. Ao mesmo tempo as emissoras locais
tinham que demonstrar sua credibilidade, assim como certos
padronizados periódicos, para atrair a publicidade e o
interesse dos politicos, que ao fim eram os que podiam oferecer
melhores condições de emissão para as cadeias de radio.
Nas emissoras algo melhor iniciou-se:
a ser mais profissionais, contrataram jornalistas
diversificados e começaram transmitir um panorama politico
local e nacional. As simbioses com os politicos não tardou em
chegar, as emissoras privadas dependiam dos politicos e estes
buscavam estabelecer boas relações com a imprensa local.As
catástrofes químicas e de incendios, assim como os
acidentes de trem e avião, demonstraram que a cobertura da DRS
deixava a desejar, e que de outra parte as emissoras privadas,
com meios mais rudimentares, ofereciam infomações com
credibilidade e no idioma popular.
A fase de consolidação e as primeiras fusões
Com a chegada do fim dos anos 80, pioneiros da radio
local, as emissoras principais começaram a se assentar, tendo o
amparo dos ouvintes e dos politicos.
Na outra cara da moeda, em contrapartida, o mercado
começou a ensinar seus limites e na divisão do pastel
apareceram os primeiros perdedores. Radio DRS, com
sua variedade de programas, seguia mantendo a metade
da audiencia rural, ja que nas cidades os ouvintes se inclinaram
pelas radios privadas.Ali a competencia era muito mais forte e
os mediadores dos anos 90 somente as grandes emissoras ficaram
em pé. Naquele momento, a idéia que
prevalicia era as daquelas de que somente se podia fazer
frente a SRG com a cooperação e as fusões.
Os primeiros magnatas da radio local viam como o negócio
funcionava e começaram a cooperar para maximizar os ingressos
de publicidade. Com a chegada dos demais,das televisões
nacionais e locais a quantidade de publicidade começou a
tornar-se pequena, a competição era cada mais agressiva e as
radios se forraram de estrategias para permanecerem no mercado. Com a
chegada dos computadores, as redações se reestruturaram e começaram
a chegar os primeiros desempregados.
Já não fazia falta tanto pessoal. Os formatos
musicais por sua vez se pareciam cada vez mais. Inclusive a
DRS-3 com o final do século e a pressão do mercado, que
provocou uma baixa nas cifras de audiencia, cedeu
aos novos estilos musicais e se uniu a tendencia geral Há
que dizer que os últimos tempos a rede pública parece que quer retornar a recuperar sua competencia
musical, falta saber agora se pode faze-lo com os problemas
internos e estruturais que apresenta.
As radios locais privadas apesar de tudo puderam
manter suas audiencias e sua parte no mercado. A falta de uma
diversidade musical e o empobrecimento da oferta cultural se justificam com as pressões economicas.
Neste sentido a radio seguia os passos da imprensa européia,
que por razões de mercado havia reduzido as redações e
perdido a noção de apresentar informações sérias,
documentada, contrastada e em profundidade.
Os direitos e a realidade
As emissoras privadas,sem dúvida, chegaram ao seu
propósito inicial, que não era outro que competir com a SRG
desde do ponto de vista periodístico. O que passa
é que do compromisso periodístico do princípio, se
passou a caçar publicidade, ganhar dinheiro, assentar-se e não
mais preocupar-se mais pela qualidade, a originalidade e a
credibilidade da informação. O maior compromisso dos grandes
periódicos das radios locais tão pouco trouxeram maiores substâncias.
De nada serve que
com a troca do nome as emissoras pretendam apresentar uma
nova cara.
Ademais, o ouvinte segue fiel, não faz falta trocar
os conteudos da programação musical.É perfeitamente legítimo
que as emissoras privadas olhem por seus interesses
economicos. Pois o meio de comunicação por definição
não deve ter um “ultramarinho” em que se pode comprar todo
tipo de conservas. Onde ficaram aqueles discursos tão esperançosos
de fomentar a diversidade de opiniões, realizar maiores
programas e, em geral, trazer um ar fresco a radio que se
proclamaram faz 20 anos?
Objetivamente parece que a grande empresa fracassou. O
túnel se faz mais escuro quando se escuta que nas consultas da
Comissão do Conselho Nacional para a nova lei da rádio e
televisão se embaralha a idéia de eliminar o tanto por cento
de dinheiro público que recebem as emissoras locais não
comerciais das grandes aglomerações. Quando são precisamente
essas emissoras as que desde muitos anos representam,com seus
computadores e seus formatos musicais inovadores, uma
alternativa ao formato unidimensional das emissoras comerciais e
públicas.
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