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Julia Morais: " A Lei de Integração obriga aos órgãos de execução a velar pela igualdade de condições e não a discriminação" (Foto: Miroslav Pazdera)

O difícil processo de aprender alemão

Em 15 de janeiro se realizou um seminário em Basiléia que tinha como objetivo abordar um tema recorrente, mas sempre de atualidade:" a aprendizagem do alemão por parte dos imigrantes". Mais de 100 expertos na matéria discutiram os problemas e as queixas que puseram sobre a mesa os representantes das escolas de língua na região de Basiléia, das comunidades de imigrantes e dos departamentos administrativos.

snc

entrevista: sevim civil

português: arlete f. Kaufmann

Aprender idiomas - uma atividade sócio-política

A questão de aprendizagem do alemão segue sendo um tema "em brasa" do ponto de vista social e político. Um claro exemplo é a nova "Lei de Integração" que foi enviado para consulta aos Cantões da Cidade da Basiléia e Baselândia e que obriga expressamente aos recém chegados a assistir aos cursos de língua e integração que oferecem as respectivas administrações. Um tema que se está discutindo vivamente nas ruas.

Os departamentos de integração dos cantões de Basiléia e da Comissão Federal para Estrangeiros pedem maior apoio financeiro para os cursos de idioma, que desde de algum tempo oferecem também informação para o desenvolvimento da vida cotidiana. Os responsáveis dos cursos explicam que os imigrantes não podem somente integrar-se com saber alemão. Ainda que reconhecem que o aspecto linguístico é prioritário do ponto de vista social e laborável.

Morais: "Sem língua não há cultura......"

Julia Morais, a responsável pelos Assuntos de Integração de Basiléia-Rural, foi a encarregada de abrir o debate. Ela ressaltou que a aprendizagem do idioma é somente um elemento dos muitos que engloba a nova lei de integração e continuou dizendo: " A Lei de Integração obriga aos órgãos de execução a velar pela igualdade e condições e não a discriminação".

Morais voltou a insistir em que com a aprendizagem do idioma não se havia chegado ao final do caminho da integração e ressaltou que "sem a língua não há cultura, e sem cultura não há língua". Para ela, o idioma é fundamental em todos os âmbitos da intercomunicação, "desde a mímica, passando pelo compromisso com a sociedade, até qualquer forma de transmissão humana".

Diferenças e pontos em comum entre a língua mãe e a estrangeira

Marianne Sigg é docente na Escola Superior de Pedagogía de Zurique e segundo sua opinião a língua mãe tem muito à ver no processo de aprendizagem de uma nova língua. Sigg, que vê muitos paralelismos entre as diferentes línguas, chega a afirmar que " o aluno assimila fácilmente os elementos e as regras similares entre as línguas, mas onde há problemas é nas excepções e nas diferenças. Os elementos divergentes são difíceis de explicar ao aluno, daí que se equivoque repetidamente nestes casos". Para avaliar suas teses, a pedagoga tirou vários exemplos ilustrativos das diferenças e os pontos em comum entre o alemão e o italiano.

As professoras e os professores de alemão pedem maior formação

Na segunda parte do seminário, os participantes se dividiram em grupos e comentaram as motivações que fazem para aprender uma nova língua, os modos mais apropriados que há para integrar-se, os problemas que trás consigo a coexistência do velho alemão e o dialeto suiço na zona da Basiléia e as falhas mais comuns que se fazem em alemão.

As conclusões destes pequenos debates apresentaram depois a todos os participantes em um debate de pódio. Aqui já tiveram um papel mais ativo os expertos, que explicaram como a população suiça, em seu afã por proteger sua identidade, havia criado sobre 100 dialétos diferentes. Em sua opinião, sem dúvida, o povo suiço deveria utilizar com mais rigor o antigo alemão.

Também se comentou como os empresários vêm com muito bom olhos que a nova Lei de Integração obrigue aos imigrantes a aprender alemão, ainda que os professores de língua reconhecem que em muitas ocasiões não podiam contestar as perguntas de seus alunos sobre a nova Lei de Integração e pediu que se realizassem alguns cursos de formação sobre o tema para a comunidade docente.

A palavra final, já para terminar o seminário, teve o responsável pela migração do Cantão da Cidade da Basiléia, Thomas Kessler , quem em seu discurso falou sobre a demanda de cursos sôbre a nova lei de professores de língua, tomou nota do assunto e prometeu que em breve dará algum tipo de resposta para cobrir estas lagunas.