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Café
com o Artista: Entrevista
O
músico e violonista Brasileiro: MAGNO ALEXANDRE- Música
Instrumental. Pela
primeira vez na Europa.
snc
entrevista: arlete f. Kaufmann
Com
quantos anos você começou os seus estudos musicais?
Comecei
com uns 15 anos, meio na brincadeira. Aquela coisa de
adolescente.
Porque
o violão? No que baseou-se musicalmente?
Eu
sou garoto de casa de avó e meu avô tinha um violãozinho para
fazer serenata à minha avó e neste violão ninguém colocava a
mão. Eu adorava mexer e desafiná-lo.Também ouvia muita música
em casa. Ouvia muita música do "Clube da Esquina",
Roque Progressivo etc...
Você
é o único músico da família?
Sim,
o único da família.
O
que dizem disto?
Quando
eu tocava de brincadeira êles viam com naturalidade, até que
chegou a época que tive que fazer uma formação musical.
Terminei o colégio e em Minas Gerais não tinha muita opção
para a cadeira de música/jazz. Comecei a ganhar meu dinheiro
com a música e o pessoal foi me respeitando. Formei um grupo
com amigos fazendo já música instrumental e apesar de ouvir
muito Rave-metal eu também ouvia muita coisa boa e assim fui
conhecendo os grandes guitarristas de jazz. Eu tirava os solos
de todas as músicas que eu gostava foi um trabalho árduo foi
anos fazendo isto e depois entrei numa escola de música para
poder aprender ler e escrever música, já que fazia composições
e era meio vergonhoso sempre pedir a alguém para escrever a música
para que eu não esquecesse.
Estudei
na "FUMA- Fundação de Educação Artística " que
hoje é a Universidade Estadual de música, mas fui sempre
trabalhando e formei um grupo de música instrumental chamado
"feijão de corda" o qual não participo mais, mas
existe até hoje. Depois comecei a tocar com o baterista Nenê
que vive em Paris. Foram quase 10 anos e lógicamente conheci vários
dos músicos que estão neste CD:
Maracatuaba
- misto de Maracatú (dança) e Catuaba (tupi-planta
medicinal/afrodisíaca) Quarteto: Magno Alexandre, Benjamin
Taulekim, Célio de Barros e Nenê.
Toquei
também com os músicos do Hermeto Pascoal. Músicos
maravilhosos e aprendi muito com este pessoal. Depois veio o
contato com Antonio Horta.
Quem
foi para você um exemplo de guitarrista?
Para
mim teve dois: Wes Montgomery e Pat Metheny. Já tenho 34 anos e
20 anos de carreira e tenho muita influência destes ídolos mas
uso elementos da música do Brasil: marcha, maracatú, um pouco
de minas, de congado para a minha música ter a cara de lá,
apesar de ser um guitarrista de Jazz.
Nestes
20 anos Magno, era isto mesmo que você queria fazer?
Sim,
estou bem contente principalmente depois deste CD pois várias
coisas estão acontecendo.
Você
já havia viajado para a Europa?
Nunca,
é a primeira vez aqui no the bird´s eye jazz club em Basel.
Viajei pelo Brasil pelos principais projetos como por exemplo o
do Banco do Brasil.
O
seu tempo somente é dedicado a música?
Completamente,
e estou trabalhando em projetos para poder fazer minha música.
Em Minas existem projetos estaduais de Leis de Incentivo que são
organizados através de empresas privadas pois 3% do bruto dos
impostos que as empresas pagam vão para a Cultura e é lógico
elas tem o interesse de fazer também a propaganda.
Magno
Alexandre diz que as coisas no Brasil estão melhorando neste
sentido, com os projetos de leis de incentivo, de tournês, de
arte, de CD,de teatro, de circulação de espetáculos para
difundir a cultura. A Secretaria de Cultura tem estimulado muito
a descentralização, isto é, levado shows para outras cidades
e estados.
Há
um Clube de Jazz em Minas Gerais?
Não,
não há. Mas fazemos muita música inclusive com outros
artistas de outros estados.
Você
faz acompanhamento?
Não,
sou solista e quero me dedicar a música instrumental e tenho
vivido com este estilo.É coisa rara, mas quero me empenhar
nisto. Lógico que gosto de voz em minha música.
Qual
foi o prêmio que você foi vencedor?
Ganhei
este ano o prêmio BDMG com mais dois artistas do interior e um
da capital. Um outro prêmio dentro deste é o prêmio de CD
independente de música instrumental , e aí tambem fui
vencedor.
Que
você diria para um jovem que está começando?
Eu
diria, (que aliás não é de minha autoria). "Que vale a
pena quando a alma não é pequena"! Quando você gosta e
faz com seriedade um dia a coisa acontece!
Como
aconteceu o seu encontro com o músico Stephan Kurmann?
Êle
vai muito ao Brasil e êle foi substituir um outro baixista e
assim nos conhecemos.
Qual
é o melhor lugar para se tocar por lá?
Há
um projeto que toquei agora antes da viagem para cá que se
chama "Domingo no Parque" -música de domingo no
teatro Francisco Nunes com entrada franca. Um projeto da
Prefeitura assim como o do Parque Ibirapuera em São Paulo.
Como
você se sente tocando aqui pela primeira vez?
É
importante por tocar pela primeira vez fora do Brasil mas estou
com o mesmo sentimento de sempre, pois gosto do que faço. A música
é a consequência de nossos sentimentos.
Que
você acha de nosso trabalho de divulgação?
Acho
importantíssimo, sem a divulgação fica difícil ecoar o nosso
trabalho!
Quais
sãos os seus próximos projetos?
Fazer
mais um CD e fazer uma tournê maior pela Europa, que no momento
é uma sedutora proposta.
the
bird's eye jazz club
Stephan
Kurmann: músico/baixista e organizador do club teve o
primeiro contato com a música brasileira através de João
Gilberto (bossa nova). Êle vive entre a Suiça e o Brasil em
Uberaba /Minas Gerais, onde mora atualmente sua família.
Depois
ouviu muito e tocou músicas de Ayrton Moreira, Hermeto Pascoal,
Antonio C.Jobim etc. Estudou muita música cubana e depois
quando conheceu sua esposa brasileira tomou contato novamente
com a música brasileira.
Segundo
Stephan Kurmann, o Brasil é um continente musical, diz êle. O
brasileiro normalmente não precisa aprender inglês e tocar
jazz. A música brasileira tem muitas variedades , elementos
e estilos diferentes, ou seja, e ela se basta a si mesma.
Termino
a entrevista com o silêncio e a aprovação destes grandes músicos
que se encontram pela primeira vez!
"
A música é a oração da alma"!
Esta
entrevista é a primeira em sólo europeu para o músico Magno
Alexandre.
Desejamos
grande sucesso!
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