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A Imigração Suiça no Brasil:
Um livro para crianças
e jovens para melhor compreender a história dos imigrantes suiços
no Brasil. Durante o período de 1819/1920 é bom que não esqueçamos
que os suiços também foram imigrantes. Devido as crises de
1816/1817 agravada pelo insucesso das suas safras agrícolas, a
fome havia chegado aos lares suiços, e a solução que na época
pareceu mais adequada foi os movimentos migratórios para o
exterior.
reportagem snc em
português:
arlete f.kaufmann
A IMIGRAÇÃO SUÍÇA DE
1819/1820 PARA O BRASIL
O
período das guerras napoleônicas deixou, por muitas décadas
após, muitas seqüelas inimagináveis pelo Imperador Napoleão
Bonaparte, não só no continente europeu mas também na América.
A
Confederação Helvética, que sofrera mudanças territoriais
significativas, passara também por problemas que ocasionou distúrbios
afetando sua integridade político-social. Com a chegada do
liberalismo econômico e as crises de 1816/1817, agravada pelo
insucesso das suas safras agrícolas, a fome havia chegado aos
lares suíços. A Confederação não tinha como mais alimentar
a totalidade de seus cidadãos, e a solução que à época
pareceu mais adequada seria permitir movimentos migratórios
para o exterior.
Um
cidadão da Gruyère, de nome Nicolas Sébastian-Gachet, foi então
nomeado pelo Cantão de Fribourg para negociar com o Príncipe
Regente D. João, do Reino do Brasil Portugal e Algarves,
a instalação de uma colônia suíça em território
brasileiro.
Tal
iniciativa encontrou campo extremamente favorável no seio das
autoridades imperiais portuguesas, pois, a exemplo dos demais países
europeus, o Reino de Portugal, estrategicamente indefensável a
exércitos invasores, também sofrera a investida de Napoleão
Bonaparte. D. João e toda a corte portuguesa, numa retirada
estratégica, busca refúgio na sua colônia americana e, em
1808, se instala no Rio de Janeiro.
Em
16.05.1818, o Príncipe Regente e futuro Rei D.João VI, por
Decreto Real, ratifica e aprova as “CONDIÇÕES
SOB AS QUAIS SUA MAJESTADE MUITO-FIEL QUIS CONCEDER AO SENHOR
SEBASTIÃO NICOLAO GACHET, AGENTE DO GOVERNO DE FRIBOURG, UM
ESTABELECIMENTO PARA UMA COLÔNIA SUÍÇA NOS ESTADOS DO
BRASIL.”
Nesse
documento se estabelecia, efetivamente, todas as condições e
situações de ordem prática com vistas à vinda dos suíços,
desde as exigências do lado brasileiro (profissão, religião,
etc.) assim como as vantagens e ajudas concedidas. Também já
se definiu ali o nome da futura Colônia, que passaria a se
chamar Nova Friburgo.
Na
Suíça a notícia repercutiu de forma muito positiva, pois os
intermediários do Projeto descreviam o Brasil, em particular, a
região da colônia, como um Eldorado. Alistaram-se 830 pessoas
de Fribourg, 500 de Berna (incluindo o Jura de Berna), 160 do
Valais, 90 do Vaud, 5 de Neuchatel, 3 de Geneve, 143 de Aargau,
118 de Solothurn, 140 de Lucerne e 17 de Schwytz, totalizando
2006 colonos.
Em
14 de julho de 1819 os emigrantes da Suisse Romande partiram de
Estavayer-le-Lac, para uma viagem sem volta, com muitas lágrimas
e tristezas em relação aos que ficaram, mas também com muitas
esperanças com o novo lar. Os colonos da chamada Suíça Alemã
vieram pelos Reuss, Aar, em direção ao Reno, para se juntar em
Bale a todo o contingente migratório.
Problemas
relacionados com a organização do Projeto, melhor dizendo, a
falta de organização trouxe conseqüências trágicas. À
espera do embarque para a viagem pelo Oceano Atlântico, ficaram
acampados nos pântanos de Milj, perto de Dordrecht, na Holanda,
onde sofreram toda espécie de desconforto, comida ruim ou
deteriorada, que provocou doenças como varíola, tifo,
disenteria e malária.
Somente
em 11 de setembro de 1819 as primeiras 1200 pessoas conseguiram
embarcar, e em 10 de outubro as 800 restantes. Os colonos são
acomodados nos veleiros Daphné, Urânia, Deux Catherine, Debby
Elisa, Heurex Voyage, Elisabeth-Marie e Camillus. O Trajan
transportou apenas as bagagens pesadas dos passageiros.
A
ambição do intermediário Gachet, que procurava ganhar
dinheiro de todas formas possíveis, alugou navios em quantidade
insuficiente, dando ensejo a que em todos os navios havia
superlotação.
Thorman,
o inspetor nomeado pelo Cantão de Berna, com ironia e
pessimismo fúnebres, informava ao seu governo que
“... como é de
se supor tampouco que todos os colonos embarcados ainda estejam
vivos na chegada ao Rio de Janeiro, não há dúvida que estarão
melhor acomodados e com mais espaço quando a viagem estiver
chegando ao fim...”.
Por
isso, a travessia do oceano foi muito triste, demorada, e com
muitas mortes.
Na
chegada ao Rio de Janeiro, foram recebidos de forma agradável
pelo Rei D.João VI, recebendo muitos presentes e coisas típicas
como pão, vinho, bananas e laranjas.
Mas
a viagem ainda não acabara. Tinham que percorrer mais de 120 quilômetros
até à Colônia. A metade do caminho era por via fluvial, até
perto da atual cidade de Cachoeira de Macacú. A partir daí em
carroças e lombo de burro. Tomaram contato com a floresta
tropical, quente e úmida, com muitos animais diferentes, chuvas
abundantes e caminhos estreitos, quase intransitáveis. Mas eram
bem recebidas pelas populações das fazendas por onde passavam,
recebendo presentes, doces, guloseimas em geral, e conheceram a
nossa cachaça. Mais adiante,
a viagem tornou-se mais difícil, pois os carros não
tinham como avançar. As mulheres, crianças e idosos iam em
mulas, e os homens a pé.
A
triste estatística da viagem pode ser expressa pelos seguintes
números:
•
mortes ainda na Europa 43
•
mortes no oceano 311
•
mortes no Vale do Macacu 35
Das
2006 pessoas que partiram da Suíça, apenas 1617 chegaram a
Nova Friburgo e, durante a viagem, nasceram 14 bebes.
Mas
as atribulações ainda não haviam terminado. O governo
imperial havia preparado apenas 100 casas. Insuficiente, tratou-
se alojar em cada uma, mais de uma família, os órfãos,
solteiros, parentes, de modo que cada casa abrigou de 18 a
20 pessoas, dando origem ao que ficou conhecida como a “família
artificial”.
Depois
são transferidos para as terras que lhe haviam sido destinadas,
também em número insuficiente, adotando-se o mesmo critério
de ocupação. Mas o pior que as terras eram totalmente impróprias
para a agricultura. Íngremes, pedregosas, às vezes verdadeiras
montanhas de enormes rochas. Algumas eram tão ruins que não
era possível sequer plantar uma simples horta.
Para
agravar mais ainda a situação, a maior parte da ajuda
prometida e estabelecida no documento inicial (Condições...),
não foi cumprida. Não lhes foram dadas as sementes, o gado
etc.
Aqueles
que não tinham profissões definidas e as viúvas e órfãos
começaram a passar fome e foram pedir esmolas.
Sensibilizados
com a situação de seus patrícios, alguns suíços do Rio de
Janeiro criaram a Sociedade Filantrópica Suíça do Rio de
Janeiro que tentava evitar a miséria dos colonos, dando-lhes
assistência médica, educação para as crianças.
Como
também não houve racionalidade para a prestação dessa ajuda,
ocorre a falência da Colônia e os colonos se dispersam.
Somente ficam em Nova Friburgo
aqueles que não tinham condições financeiras ou materiais
para ir adiante.
Os
mais corajosos e de alguma posse vão em direção ao Vale do
Rio Paraíba, em busca de melhores terras e clima mais quente.
As cidades de Duas Barras, Cordeiro, Cantagalo, Jardim, São
Sebastião do Alto, São Fidelis, Carmo e outras,
Algumas
famílias de suíços se tornam,
ao longo dos anos, proprietários de terras e alguns até
prósperos aristocratas rurais, como os Monnerat, Wermelinger,
Lutterbach, Heggendorn, Tardin, Thurler, Stutz, Tardin.
Embora
a região centro-norte do Estado do Rio de Janeiro ainda o
reduto principal da Colônia Suíça, hoje seus descendentes estão
espalhados por toda a parte, tendo participado ativamente do
desenvolvimento e crescimento do país.
Por
esta razão, temos um grande orgulho de ser descendente daqueles
bravos imigrantes.

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