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A televisão suiça poucas vêzes fala dos imigrantes que vivem no país e se o fazem é quando criam algum tipo de problema.

Onde estão os imigrantes na 

televisão suiça?

Em 10 de março de 2005 várias personalidades do mundo do jornalismo se reuniram no edifício central da ETH de Zurique para abordar uma pergunta chave: de que maneira estão representados os imigrantes na televisão suiça? No público havia 50 pessoas, algumas das quais ofereceram idéias que deram que pensar ao chefe de redação da Televisão Suiça, Ueli Haldimann.Quem sabe seja hora de modificar ou reorientar a posição da cadeia com respeito aos imigrantes.

snc investigação/ali yilmaz

snc em português: arlete f.kaufmann

Hannes Britschgi foi o moderador da noite e entre os seus convidados se encontravam personagens relevantes do mundo dos meios de comunicação da suiça como a jornalista independente Samira Begman-Karabeg, Hugo Biggi da TeleZüri, o observador da mídia Hein Bonfadelli, e, sobre tudo, destacava a presença de Ueli Haldimann.Em contar no debate com o chefe de redação daTelevisão Suiça significava que por fim se ia poder falar sobre temas relacionados com a comunidade imigrante que até agora sempre se havia ignorado.

A representação dos imigrantes na televisão pública suiça não é uma questão menor. Quase um quarto da população suiça tem algum tipo de ascendência estrangeira e a cadeia SF DRS tem claramente estipulado no contrato de sua concessão que deve ter em conta incluir aos imigrantes em sua programação.Esta função foi reconhecida por Haldimann e a acusação de que sua cadeia não estava cumprindo com esta incumbência, o chefe da redação da DRS assinalou: "nós tentamos que cobrir toda a oferta cultural do país sem nenhum tipo de racismo nem discriminação" e ato seguido enumerou várias temáticas e notícoias da DRS relacionadas com a comunidade estrangeira.

Infelizmente, sem dúvida, a maioria das notícias sobre imigrantes se centram em ações e feitos negativos. É muito comum ver na televisão suiça notícias como: "estrangeiro de origem turco e serbo causou um acidente de tráfico, agressão a alguém, ou cometeu um roubo ou provocou um confrontamento".Que este tipo de notícias represente de verdade toda a população residente que tem suas raízes em outro país é muito duvidoso.

Para Bonfatelli, a televisão pública suiça muito pouco tempo em sua programação ao tema da integração dos imigrantes.E mais, somente transmitir notícias negativas e ignorar o lado positivo da presença neste país dos estrangeiros, a televisão suiça fomenta uma visão distorcida da realidade, que pode derivar em sérios prejuízos aos estrangeiros por parte da população local.

A jornalista independente Begmann-Karabeg pede mais programas para os estrangeiros residentes na Suiça. Sua proposta é emitir formatos interculturais e enriquecedores, ao melhor inclusive em vários idiomas, que atrairiam a atenção dos estrangeiros. O apresentador pode ser alguém com raízes de fora e pode realizar debates com e sobre imigrantes, que façam que o telespectador estrangeiro se sinta identificado. Para a jornalista haveria que criar uma regularização que obrigasse a incluir estes pontos na programação pública.

Haldimann, por sua parte, defendeu a Televisão Suiça com as seguintes palavras:"nós nos dedicamos a informar da atualidade do país e um dos objetivos prioritários da DRS é informar aos espectadores dos acontecimentos que sucedem na Suiça". E sôbre a petição de incluir mais apresentadores ou convidados imigrantes nos programas, exclamou:" Eu não tenho que perguntar aos meus companheiros de trabalho de onde vem, em nossa televisão apresentam os programas as pessoas que estão qualificadas para isto. O importante é dominar a língua alemã e se não há mais convidados nos debates é porque muitas vezes faltam a competência línguisticas necessárias".

Biggi também se mostrou de acôrdo com isto. Mas, "também é verdade que se poderia utilizar mais meios para solucionar esta barreira linguística", segundo apontaram Bonfatelli e outras vozes do público, que ao final também tiveram uns minutos para mostrar seu ponto de vista. Está claro que se quisesse se poderia utilizar sistemas técnicos de tradução que facilitasse a participação nos debates de pessoas imigrantes poderiam transmitir sem problemas suas perspectivas e fazer chegar seus comentários diretamente a audiência, o qual enriquecería enormemente os debates.

Se não se colocam todos os meios sobre a mesa para que os imigrantes participem na televisão pública suiça, é lógico que esta parte da população, que representa uma quarta parte do total, não se sinta atraída pelos programas de cadeias como a DRS. Se não se faz nada por incluí-los, é lógico que êles não se sintam estimulados e não vêm este canal.

Ao final, o moderador do debate desviou a atenção sobre o tempo de emissão. No mes das votações de setmebro de 2004 e também na campanha prévia ao referendo sobre as nacionalizações agilizadas para os "secondos", os imigrantes tiveram muito pouca atenção por parte dos meios de comunicação. Ao contrário, as informações sobre atos criminais e a ausência desta comunidade nos debates, pode fazer inclusive que se tivesse uma imagem negativa dos estrangeiros. Segundo Britschgi, é muito importante quando e como se emite e em sua opinião seria positivo que a Televisão Suiça falasse um pouco mais de sua parte no processo de integração dos estrangeiros e na criação de uma sociedade em que todas as culturas possam viver felizes, sobre tudo, considerando que a televisão é um meio perfeito para conseguir isto.

Depois das interessantes abordações dos convidados ao debate, foi a vez do público, que esteve escutando toda a noite com muita atenção. Os membros da audiência animaram inclusive mais a discussão com seus comentários, suas perguntas e suas visões.

Ao final, de acôrdo com as críticas de como a Televisão Suiça representa aos imigrantes, se pode observar como o semblante do chefe de redação da mesma reconhecía que é hora de mudar algo. Haldimann aceitou várias das sugestões e comentou que estava disposto a escutar idéias construtivas e com motivação, que ajudem a avaliar as lagunas existentes na DRS em relação com o tema da imigração e sua integração no país.

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